Universidade Federal do Amazonas
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos — Governo do Brasil
Confidencial Nota de Sensibilização

Proposta Institucional · Maio de 2026

Microcosmos de Inovação BR-319 — Nota de Sensibilização ao MGI

A Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio do Instituto de Natureza e Cultura (INC) e da rede INPACTAS, apresenta ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos o Projeto Microcosmos de Inovação BR-319 — uma proposta integrada de fortalecimento de capacidades institucionais e bioeconomia nos 16 municípios da área de influência da rodovia, articulada via metodologia Microcosmos (Hero Amazonia + INPACTAS), com governança municipal já consolidada em Benjamin Constant e cobertura técnica acadêmica nas demais localidades do eixo.

Proponente: Universidade Federal do Amazonas — UFAM
Destinatário: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
Apoio técnico: INPACTAS · Hero Amazonia · Protec · SEMCTI Benjamin Constant
Horizonte: 36 meses (3 anos) · início jun/2026
Cobertura: 16 municípios · eixo BR-319
Aporte: 3 cenários · R$ 3,93 / 11,31 / 17,16 mi (incl. taxa Fundação 12% e Componente 06)

1. Diagnóstico Territorial

O eixo da BR-319 concentra 16 municípios com baixa capacidade institucional, alta vulnerabilidade produtiva e ausência de estruturas formais de inovação. O diagnóstico do AAE BR-319 (INPA/UFAM/INFRA S.A.) identificou três cadeias produtivas estáveis e viáveis — açaí, castanha-do-Brasil e palmito — que constituem a base estratégica de uma transição para bioeconomia de alto valor agregado, em alternativa explícita a modelos extrativistas e à expansão da pecuária.

1.1 O eixo da BR-319 em números

16
Municípios · Área de influência
Municípios diretamente afetados pela BR-319 no eixo Manaus–Porto Velho, abrangendo o interflúvio Purus-Madeira.
03
Cadeias prioritárias
Açaí · castanha-do-Brasil · palmito — cadeias estáveis identificadas pelo AAE BR-319 como base da bioeconomia regional.
01
Microcosmo validado
Benjamin Constant (referência metodológica) — município com incubadora ativa, fundo municipal de inovação e governança documentada (Lei 1.434/2025).
~12%
Formalização · Média eixo
Taxa estimada de formalização empresarial nos municípios do eixo — proxy a partir da média de municípios amazônicos pequenos (RAIS/ME, 2023). Valor a ser refinado com microdados oficiais na instrução técnica.

Além da vulnerabilidade produtiva, o território enfrenta um déficit severo de governança de infraestrutura. A expansão urbana desordenada e o alto custo logístico para aquisição de materiais de construção convencionais (cimento e tijolos cerâmicos industriais) limitam o desenvolvimento econômico e aumentam os passivos ambientais nos 16 municípios do eixo. A carência de diretrizes técnicas para vias locais e ramais intensifica processos erosivos e o assoreamento de rios, demandando soluções de baixo custo adaptadas à realidade amazônica — frente que esta proposta integra ao modelo Microcosmos como Componente 06.

Oportunidade central: converter o eixo da BR-319 em uma rede de microcosmos de inovação coordenados pela UFAM, em que cada ator (governo municipal, academia, empresa, sociedade civil, meio ambiente) produza valor coordenado — transformando vulnerabilidade institucional em capilaridade federativa.

“A área de influência da BR-319 conjuga fragilidade institucional, ausência de estruturas formais de fomento à inovação e cadeias produtivas estáveis com elevado potencial de agregação de valor — condição que torna o eixo simultaneamente vulnerável e estratégico para a política federal de desenvolvimento regional amazônico.”

— Síntese do Diagnóstico Integrado AAE BR-319, INPA/UFAM/INFRA S.A., 2026

2. A Proposta

A UFAM propõe não criar do zero, mas transferir e adaptar, em escala, o modelo Microcosmos já operante em Benjamin Constant — com governança municipal consolidada, INPACTAS como operador técnico, UFAM como âncora acadêmica e Hero Amazonia como provedora da metodologia internacional — para os demais municípios do eixo da rodovia, respeitando a heterogeneidade territorial. A estratégia é bottom-up, ancorada na infraestrutura existente nas sedes universitárias, e gera resultados de curto prazo sem depender de investimentos massivos iniciais (em contraste explícito com o modelo de parques tecnológicos convencionais).

2.1 Pilotos satélite e municípios-base

A proposta não ataca os 16 municípios simultaneamente. Adota um modelo de cidades satélite: começa por municípios com maior infraestrutura institucional preexistente, que servem de base para a irradiação regional. Os pilotos identificados são Humaitá (com sede universitária UFAM e papel histórico de polo do sul do Amazonas) e Manicoré (segundo nó institucional do eixo, com prefeitura estruturada e integração logística). Benjamin Constant atua como centro metodológico de referência, transferindo o modelo testado em quatro anos para os pilotos satélite.

2.2 Núcleo do ciclo: habilitação tecnológica (Fase 02 metodológica)

O eixo central do ciclo Microcosmos não é construção civil — é habilitação tecnológica de capital humano local. O público prioritário são docentes, servidores municipais como docentes, funcionários públicos, jovens empreendedores e líderes de cooperativas das cadeias do açaí, da castanha e do palmito. As competências-alvo são três: (i) inteligência artificial aplicada à gestão municipal e à cadeia produtiva; (ii) formulação de projetos para captação autônoma de fomento federal e estadual; (iii) gestão jurídica e contábil de negócios formais e cooperativas. A trilha de 8 meses é modular, com marcos intermediários de reconhecimento (certificações parciais a cada 2 meses) e mecanismo de acompanhamento contínuo para mitigar evasão. O resultado é capacidade instalada local que pode operar com autonomia após o fim do aporte federal.

2.3 Cadeias prioritárias de bioeconomia

A focalização nas cadeias do açaí, castanha-do-Brasil e palmito não é arbitrária. Decorre do mapeamento de cadeias estáveis do AAE BR-319 e da literatura de bioeconomia amazônica como vetores de alto valor agregado, com escalabilidade comprovada e capacidade de articular pequenos produtores em redes formais. A proposta é explícita: bioeconomia, não extrativismo; cadeias produtivas com agregação tecnológica, não repetição de modelos extensivos.

3. O Modelo Microcosmos

Microcosmos não é um programa, é um sistema operativo territorial. Articula a quíntupla hélice — governo, academia, empresa, sociedade civil e meio ambiente — em torno de problemas reais do território, com infraestrutura existente, em ciclos curtos e mensuráveis. A metodologia foi desenvolvida pela Hero Amazonia (Peru) e adaptada com a INPACTAS para o contexto da fronteira amazônica brasileira em Benjamin Constant.

3.1 A quíntupla hélice

Cada um dos cinco atores tem papel ativo e operacional dentro do ciclo Microcosmos — não há ator espectador. A capacitação combina servidores públicos, líderes empresariais, jovens empreendedores, lideranças comunitárias e gestores ambientais nas mesmas trilhas formativas, com Demo Day final aberto a representantes das cinco hélices e juri internacional.

G
Governo

Município articulador, gestor do Fundo de Inovação e comprador público inovador (SEMCTI + secretarias)

E
Empresa

MPEs, cooperativas e líderes empresariais que pactuam desafios reais e absorvem soluções no Demo Day

A
Academia

UFAM, IFAM e ICTs regionais — formação, validação metodológica e produção de dados territoriais

S
Sociedade civil

Jovens empreendedores, líderes comunitários e organizações de base — beneficiários e atores de validação

M
Meio ambiente

Gestores ambientais e cooperativas extrativistas das cadeias açaí/castanha/palmito — direcionamento bioeconômico

3.2 Os 6 componentes do programa

Componente 01

Ativação do Microcosmos · Governança

Alinhar atores e estabelecer regras de jogo. Mesas de trabalho da quíntupla hélice, assinatura de compromissos institucionais, desenho da agenda territorial de inovação.

Output1 agenda de inovação territorial validada · 3 mesas ativas (academia–empresa, município–empresa, multiator)
Componente 02

Formação e Capacidade Humana

Gerar capacidade instalada local e cultura de inovação. Formação em metodologias territoriais com público misto — docentes, servidores municipais, jovens empreendedores e líderes comunitários —, identificação de líderes-semente, desafios reais com empresas e gargalos do território. Trilha modular com marcos de reconhecimento intermediários para mitigar evasão na fase de 8 meses.

OutputLíderes territoriais capacitados · portfólio de soluções desenvolvidas localmente · multiplicadores formados para ondas seguintes
Componente 03

Ativação Econômica Territorial

Aumentar competitividade empresarial e formalização. Programas de formalização progressiva, articulação com setores produtivos da bioeconomia (açaí, castanha, palmito).

OutputMPEs e cooperativas com competitividade ampliada · empreendimentos formalizados e operativos
Componente 04

Inovação e Empreendedorismo

Gerar novos negócios e soluções a problemas reais via parceria academia–município. Programa de pré-incubação estruturado que antecede o Demo Day: desenvolvimento de protótipos, validação com mercado, mentoria especializada e acesso a capital semente ampliado. Acompanhamento de spin-offs locais até a graduação.

Setores prioritáriosBioeconomia (açaí, castanha, palmito) · comércio digital local · agrotech · gestão territorial
Componente 05

Mecanismos de Fomento

Garantir capital catalisador para que o microcosmos gere fluxo. Fundos-semente piloto, incentivos tributários municipais (replicando o modelo do 1% do ISS de Benjamin Constant), compras públicas inovadoras.

OutputFundo municipal de inovação operante em cada município-base · portfólio de negócios cofinanciados
Componente 06

Infraestrutura Resiliente e Tecnologias Sociais

Integrar engenharia civil sustentável ao modelo Microcosmos em duas frentes complementares — (i) gestão de infraestrutura municipal: capacitação técnica das prefeituras para planejamento de vias e drenagem com instrumentos simplificados e materiais naturais locais; (ii) unidades de produção solo-cimento: implantação de 16 unidades comunitárias de fabricação de tijolos ecológicos como tecnologia social, reduzindo dependência de insumos externos e gerando renda local. Transforma a gestão da infraestrutura em motor de bioeconomia, em diálogo com os ODS 9 e 11.

Metas (36 meses)16 unidades solo-cimento em operação plena · 240 pessoas formadas em construção sustentável e gestão de pequenos negócios · apoio direto a 80 empreendedores locais · 16 cadernos de soluções técnicas amazônicas · 100% das prefeituras com equipes treinadas em gestão de infraestrutura
Eixo transversal

Governança da Rede e Transferência ao Estado

Garantir sustentabilidade após o fomento federal: papel da INPACTAS como hub regional, replicação do fundo de inovação via ISS, transferência formal à SEDECTI-AM ao final do período.

OutputProtocolo de intenções com Estado · modelo replicável documentado · rede operacional autônoma

3.3 As 5 fases metodológicas (ciclo de 18 meses)

Cada ciclo Microcosmos opera em cinco fases sequenciais. O cenário integral (36 meses) executa dois ciclos em sequência com expansão territorial progressiva.

Tabela 1 — Fases metodológicas do ciclo Microcosmos.
FaseAtividadeDuração
01Identificação de líderes — painéis e planos com representantes institucionais3 meses
02Formação e treinamento — habilitação tecnológica intensiva (modular, com certificações parciais a cada 2 meses) e pré-incubação8 meses
03Demo Day — apresentação de portfólio à quíntupla hélice (governo, empresa, academia, sociedade civil, meio ambiente) e a júri internacional1 mês
04Líderes ressonadores e escalonamento — articulação quíntupla hélice2 meses
05Consolidação e replicabilidade — graduação, diplomação, inserção produtiva4 meses
CICLO COMPLETO18 meses

3.4 Etapas do Componente 06 — Engenharia e tecnologia social

O Componente 06 opera em paralelo ao ciclo metodológico Microcosmos, com cronograma próprio de 36 meses estruturado em duas frentes complementares: o projeto de gestão técnica de infraestrutura municipal e o projeto de implantação das unidades comunitárias de produção solo-cimento. As duas frentes convergem na consolidação institucional final, transferindo metodologia e patrimônio às prefeituras e associações locais.

Tabela 1B — Etapas do projeto de infraestrutura municipal e do projeto de unidades de produção solo-cimento.
EtapaFrente · AtividadeJanela
Infra · 01Implantação e município-piloto — estruturação metodológica, articulação institucional e diagnóstico técnico em município-piloto para validação de procedimentosMeses 1–6
Infra · 02Expansão das investigações — ampliação dos levantamentos para os demais municípios, mapeamento de áreas críticas e estruturação de banco regional de soluçõesMeses 7–24
Infra · 03Consolidação das diretrizes — elaboração dos cadernos técnicos, fluxos de tomada de decisão e validação de soluções adaptadas ao contexto amazônicoMeses 25–30
Infra · 04Consolidação institucional — transferência metodológica aos municípios, revisão final das diretrizes e encerramento técnicoMeses 31–36
Solo · 01Implantação piloto — primeiras unidades produtivas, validação metodológica, estruturação operacional e logística, produção de material didático, início da capacitaçãoMeses 1–12
Solo · 02Expansão regional — ampliação das unidades produtivas, replicação metodológica, fortalecimento das cadeias produtivas locais, expansão das capacitaçõesMeses 13–24
Solo · 03Consolidação territorial — consolidação das unidades implantadas, ampliação do alcance territorial, fortalecimento das redes de produção, suporte técnico contínuoMeses 25–36

4. Mapa Territorial das Ações

A figura abaixo apresenta a distribuição geográfica dos 16 municípios da área de influência da BR-319 e o cronograma progressivo de intervenção em três anos. Cada marcador detalha as ações específicas previstas e o ano de início. Use os filtros para visualizar a cobertura cumulativa do projeto.

Ano 1 · Pilotos satélite (R$ 3,93 mi)
Ano 2 · Expansão regional (R$ 11,31 mi)
Ano 3 · Cobertura plena (R$ 17,16 mi)
Pegadinha amazônica. A logística intermunicipal no eixo BR-319 combina trechos rodoviários, fluviais e aéreos. Por isso, a expansão geográfica do projeto é progressiva e nunca uniforme: começa pelos municípios com sede universitária ou prefeitura estruturada (Humaitá, Manicoré), avança para nós institucionais intermediários e só na fase integral atinge cobertura plena via combinação de presença física e atendimento itinerante ribeirinho.

5. Aderência à Agenda do MGI

Três razões pelas quais o Microcosmos BR-319 dialoga diretamente com as prioridades do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

01

Inovação em serviços públicos municipais

A instalação de microcosmos fortalece a capacidade de gestão e inovação dos serviços públicos municipais no eixo, conectando-se diretamente à agenda do MGI de modernização administrativa e governo local mais eficaz. Benjamin Constant fornece os ativos prontos: fundo municipal de inovação via 1% do ISS, SEMCTI estruturada por lei, monitoramento territorial de ODS.

02

Fortalecimento de capacidades institucionais locais

A habilitação tecnológica de docentes, servidores municipais como docentes, funcionários públicos e líderes comunitários em IA, formulação de projetos e gestão jurídico-contábil dialoga com o eixo de capacitação e fortalecimento institucional do MGI — criando massa crítica para que cada município acesse autônomamente editais federais e estaduais.

03

Governo digital e dados territoriais

Os microcosmos geram dados sistematizados sobre tecido produtivo, formalização, empregos e impacto fiscal, alimentando sistemas de monitoramento federal e permitindo avaliação de políticas em tempo real para o eixo da BR-319 — em alinhamento direto com a agenda de governo digital e transparência do MGI.

04

Modernização da infraestrutura local · ODS 9 e 11

O projeto entrega guias práticos e materiais de baixo custo para que os 16 municípios do eixo gerenciem sua expansão territorial de forma autônoma e resiliente. As 16 unidades comunitárias de produção de tijolos solo-cimento, somadas aos cadernos técnicos de drenagem e pavimentação, transformam a gestão de infraestrutura em motor de bioeconomia local — em diálogo direto com os ODS 9 (indústria, inovação e infraestrutura) e 11 (cidades sustentáveis) e com a agenda federal de cidades inteligentes amazônicas.

05

Inovação em serviços públicos de habitação e vias

A transferência de tecnologia social para produção de materiais de construção em municípios remotos atua diretamente na redução do custo de obras públicas e da habitação popular. Substitui cimento e tijolos cerâmicos industriais por insumos naturais locais, descarboniza a construção, mitiga processos erosivos causados por vias mal planejadas e reposiciona as prefeituras como gestoras estratégicas — não apenas executoras — de suas obras de pequeno porte.

6. Robustez Técnica do Projeto

O Microcosmos de Inovação BR-319 parte de quatro anos de execução real em Benjamin Constant e mais de nove anos de operação da Hero Amazonia em ecossistemas de inovação latino-americanos. Não é experimento: é escalonamento de modelo testado em diferentes geografias da região, conduzido pela UFAM com arquitetura de governança documentada.

O que isto significa ao MGI

Proposta pronta para execução imediata

UFAM, INPACTAS, Hero Amazonia e Protec chegam ao Ministério com metodologia documentada, equipe formada, infraestrutura operante e referências internacionais do mesmo modelo — comprimindo o tempo entre aprovação e primeiros resultados verificáveis.

01

Metodologia validada em campo

Quatro anos de operação em Benjamin Constant, com 21 startups em operação, fundo municipal de inovação operante e premiações em editais SinapseBio, Capital Semente e Centelha. Resultados como prova de conceito do modelo a ser escalado pela UFAM no eixo BR-319.

02

Referência internacional — três territórios

A Hero Amazonia executa a metodologia Microcosmos em três territórios: Lima Este e Castilla/Piura (cidades costeiras) e Huánuco (território amazônico) — denominador comum: a predisposição de colaboração da quíntupla hélice. A trajetória demonstra amplitude territorial do modelo (urbano, costeiro e amazônico) e transferibilidade internacional. Rede com presença em 30+ cidades latino-americanas e 350 mil estudantes acompanhados.

03

Diagnóstico territorial integrado

O AAE BR-319 (INPA/UFAM/INFRA S.A.) já mapeou o território, identificou atores, mapeou as cadeias produtivas (açaí, castanha, palmito) e produziu o Diagnóstico Integrado — que serve diretamente de linha de base para esta proposta, sem necessidade de reconstrução de dados primários.

04

Modelo de governança municipal documentado

A Lei Municipal nº 1.434/2025 de Benjamin Constant institucionalizou a SEMCTI, criou o fundo de inovação via 1% do ISS e formalizou a articulação UFAM–Prefeitura–INPACTAS. Este é o template institucional a ser replicado nos demais municípios.

05

Orçamento com memória de cálculo

O orçamento foi dimensionado com base nos custos reais de operação da INPACTAS e da Hero Amazonia, ajustados para a logística amazônica. A memória de cálculo por rubrica está disponível para instrução técnica complementar ao MGI nos três cenários.

06

Mapa de sinergias — complementaridade, não sobreposição

A proposta não opera isolada nem concorre com programas federais existentes. Articula-se de forma complementar: SEBRAE (formalização e gestão MPE), INPA (base científica e diagnóstico territorial), FAPEAM (fomento estadual e bolsas), FINEP (capital de inovação), SUFRAMA (incentivos regionais), AAE BR-319 (INFRA S.A. — linha de base), agenda de bioeconomia do MMA e rede de ICTs da Amazônia. Cada parceiro cobre uma camada distinta da cadeia de inovação — provando ao avaliador federal que não há duplicação de recursos, e sim potencialização de cada real aportado pelo MGI.

6.1 Matriz de riscos e mitigações

A proposta antecipa explicitamente cenários adversos e define respostas concretas. A operação amazônica exige robustez logística, institucional e financeira — e a equipe técnica chega ao MGI com plano de mitigação documentado para cada risco material identificado.

Tabela 4 — Matriz de riscos identificados e ações de mitigação.
Risco identificadoImpacto potencialAção de mitigação
Conectividade à internet em zonas remotas do eixoAtrasos na formação virtual; exclusão de participantesModalidade mista (presencial/virtual) e kits offline com conteúdo descarregável; agenda com semanas concentradas em sedes universitárias
Acesso rodoviário e fluvial em má conservaçãoImpossibilidade de assistência a workshops presenciaisPontos de encontro alternativos em nós institucionais; transporte subsidiado; logística itinerante ribeirinha em municípios isolados
Baixo interesse e evasão dos atoresBaixa taxa de conclusão da Fase 02 (8 meses)Marcos de reconhecimento intermediários (certificações parciais a cada 2 meses); envolvimento precoce de líderes locais; trilha modular
Rotatividade de pessoal nos municípiosPerda de continuidade institucional em transições políticasAcordos formais (Lei Municipal nº 1.434/2025 como template); vinculação de mais de um servidor por entidade; SEMCTI como âncora institucionalizada
Atraso na liberação de fundos federais ou de cooperaçãoParalisação de atividades planejadasFundo de contingência (rubrica explícita); fases com orçamento modular; cenário mínimo (R$ 3,93 mi) viável como aporte-ponte para início imediato
Reserva de capital intelectual. A metodologia Microcosmos, a estrutura de governança municipal documentada e os instrumentos de fomento aqui descritos integram capital intelectual de UFAM, INPACTAS, Hero Amazonia e Protec, sob cláusulas de confidencialidade e reserva de propriedade. Reprodução ou apropriação sem autorização formal das partes signatárias está vedada.

7. Investimento e Plano de Aplicação

O dimensionamento orçamentário adota a estrutura de instrução técnica de projetos CNPq/FAPEAM, com rubricas explícitas e memória de cálculo. Apresentam-se três cenários de aporte, escaláveis a partir da mesma matriz percentual de aplicação — o que garante coerência metodológica entre escalas e flexibilidade na pactuação federativa.

7.1 Cenários de aporte

Cenário Mínimo
R$ 3,93mi
12 meses · 2 municípios-piloto

Pilotos satélite — Humaitá + Manicoré

Validação do modelo Microcosmos em dois municípios com infraestrutura institucional preexistente, com primeira unidade-piloto de produção solo-cimento. Formação de 50 a 80 líderes locais, primeiros convênios de quíntupla hélice, capital semente ampliado (15%) e linha de base de indicadores territoriais. Subtotal técnico R$ 3,46 mi · DOA Fundação 12% R$ 0,47 mi.

Cenário Médio
R$ 11,31mi
24 meses · 6 municípios-base

Expansão regional do modelo

Replicação estruturada em 6 municípios com perfis distintos, com 6 unidades de produção solo-cimento implantadas. Formação de rede de gestores municipais de inovação, três coordenadores locais por município, dados territoriais comparáveis e ativação das cadeias açaí/castanha/palmito. Subtotal técnico R$ 9,95 mi · DOA Fundação 12% R$ 1,36 mi.

Recomendação. O cenário integral (R$ 17,16 mi · 36 meses) é o que entrega cobertura territorial completa, 16 unidades de produção solo-cimento e modelo replicável ao Estado. O cenário médio (R$ 11,31 mi) é pactuável como segunda alternativa. O cenário mínimo (R$ 3,93 mi) é viável apenas como aporte-ponte para início imediato em jun/2026, com complementação subsequente. Todos os valores incluem taxa de gestão da Fundação (DOA) de 12% sobre o valor total do convênio, conforme prática consolidada de execução via fundação de apoio universitária, e o Componente 06 — Infraestrutura Resiliente integralmente dimensionado.

7.2 Plano de aplicação · Componentes 01–05 + Eixo transversal

A matriz percentual abaixo se aplica aos três cenários para os componentes do núcleo metodológico Microcosmos (01–05 + eixo transversal de governança da rede). Os valores ilustram a parcela correspondente desses componentes no cenário integral, com capital semente ampliado para 15% (recomendação operacional Hero Amazonia) e 3 bolsas de coordenadores locais de projeto (R$ 3.600/mês × 36 meses, integradas à rubrica de Bolsas e mentoria PF). O Componente 06 — Infraestrutura Resiliente tem dimensionamento separado, apresentado em §7.3. A consolidação dos dois blocos com DOA Fundação está em §7.4.

Tabela 2 — Plano de Aplicação dos Componentes 01–05 e Eixo Transversal (estrutura CNPq/FAPEAM). Valores ilustrativos da parcela do Cenário Integral correspondente a esses componentes (subtotal técnico R$ 13,2 mi). Percentuais sobre o subtotal técnico desse bloco.
Rubrica (CNPq/FAPEAM)AplicaçãoValor (R$)% subtotal
Bolsas e mentoria (PF)Equipe gestora UFAM (2 PROFs · 36m), mentores especializados (10 · 12m), 3 coordenadores locais de projeto (R$ 3.600/m · 36m), coordenação acadêmica4.020.00030,5%
Serviços de terceiros (PJ)Plataforma digital (LMS, CRM, gestão), comunicação, consultoria jurídica de proteção de IP1.680.00012,7%
Equipamento e material permanente (capital)16 microcosmos físicos: mobiliário, computadores, projetores, kits de prototipagem1.680.00012,7%
Diárias e passagensLogística intermunicipal amazônica (peso elevado vs. projeto urbano)1.680.00012,7%
Auxílio financeiro a empreendedoresCapital semente ampliado: editais de pré-incubação com tickets maiores (R$ 25–50 mil · 40–60 startups locais)1.980.00015,0%
Capacitação e eventosDemo Day em cada município-base com júri internacional e quíntupla hélice, formação intensiva, materiais didáticos, graduação960.0007,3%
Reserva técnica e administraçãoContingência logística, taxas internas, custos administrativos UFAM720.0005,5%
Material de consumoInsumos das oficinas, prototipagem das cadeias da bioeconomia, papelaria técnica480.0003,6%
SUBTOTAL TÉCNICO (88%)13.200.000100,0%
DOA Fundação (12% sobre total do convênio) · taxa de gestão da fundação de apoio executora (FUA/UFAM ou equivalente) — administração financeira, prestação de contas, suporte jurídico-contábil1.800.000+12,0% do total
PARCELA DO CONVÊNIO · Componentes 01–05 (Cenário Integral)15.000.000% bloco

7.3 Plano de aplicação · Componente 06 — Infraestrutura Resiliente

O orçamento adicional do Componente 06 dimensiona a engenharia civil sustentável (gestão técnica de infraestrutura municipal e implantação das 16 unidades de produção solo-cimento) como bloco apartado, sem onerar a matriz original dos componentes 01–05. A logística amazônica responde pela maior parte da inflação de custo: o transporte de insumos pesados entre municípios eleva proporcionalmente as rubricas de equipamento, frete e diárias frente a um projeto urbano equivalente.

Tabela 3 — Plano de aplicação do Componente 06 (engenharia civil e tecnologias sociais).
Rubrica (CNPq/FAPEAM)AplicaçãoMínimoMédioIntegral
Bolsas e mentoria (PF)Equipe técnica e de gestão (engenharia civil, tecnologia social, suporte municipal)250.000400.000750.000
Serviços de terceiros (PJ)Logística, transporte e frete de materiais, ferramentas e equipamentos20.00030.00040.000
Equipamento permanente (capital)16 kits completos de produção solo-cimento (prensas, betoneiras, balanças) + equipamento permanente local250.000480.000750.000
Diárias e passagensLogística intermunicipal amazônica (peso elevado vs. projeto urbano)100.000200.000300.000
Material de consumoInsumos das oficinas, materiais didáticos para os Cadernos de Soluções Técnicas20.00040.00060.000
SUBTOTAL TÉCNICO · COMPONENTE 06640.0001.150.0001.900.000

7.4 Aplicação consolidada nos três cenários

Tabela 4 — Distribuição consolidada de aplicação (componentes 01–05 + Componente 06 + DOA Fundação 12% sobre total do convênio).
BlocoMínimo (R$ 3,93 mi)Médio (R$ 11,31 mi)Integral (R$ 17,16 mi)
Bolsas e mentoria (PF) — incl. 3 coord. locais + equipe Comp. 061.146.0003.080.0004.770.000
Serviços de terceiros (PJ)370.0001.150.0001.720.000
Equipamento permanente (capital) — incl. 16 kits solo-cimento600.0001.600.0002.430.000
Diárias e passagens450.0001.320.0001.980.000
Auxílio financeiro a empreendedores (15% da matriz original)420.0001.320.0001.980.000
Capacitação e eventos200.000640.000960.000
Reserva técnica e administração150.000480.000720.000
Material de consumo120.000360.000540.000
Subtotal técnico (88%)3.456.0009.950.00015.100.000
DOA Fundação (12% sobre total do convênio)471.2731.356.8182.059.091
TOTAL DO CONVÊNIO3.927.27311.306.81817.159.091
Nota técnica. Valores expressos em reais, a preços de maio de 2026. A matriz percentual de aplicação dos componentes 01–05 permanece constante entre cenários — o que demonstra coerência metodológica do modelo Microcosmos e permite ao avaliador do MGI verificar que se trata do mesmo programa executado em escala distinta. O Componente 06 (engenharia civil sustentável) é dimensionado de forma independente, com memória de cálculo separada, refletindo lógica operacional própria (16 unidades produtivas com kits físicos e logística amazônica de insumos pesados). Memória de cálculo por item integra anexo orçamentário disponível sob demanda.

8. Perguntas Antecipadas

Antecipando questionamentos típicos da instrução técnica federal.

A UFAM é a instituição federal com capilaridade acadêmica nos 16 municípios do eixo (sedes universitárias e polos de extensão), e tem capacidade institucional de receber recursos federais via TED. A SEMCTI de Benjamin Constant atua como centro metodológico de referência, fornecendo a Lei 1.434/2025 e a estrutura de governança municipal já testada — modelo que será replicado nos demais municípios. A INPACTAS é o operador técnico da metodologia. Os papéis estão formalizados em protocolo institucional anexo.
A delimitação em 16 municípios decorre da consolidação territorial do AAE BR-319 com os critérios institucionais de exequibilidade do projeto Microcosmos. Os municípios excluídos são aqueles com ausência integral de infraestrutura administrativa para receber a intervenção no horizonte de 36 meses. A inclusão desses três municípios pode ocorrer em fase posterior, após consolidação da rede dos 16.
Não é infraestrutura genérica nem fomento isolado a startups. É transferência de metodologia validada (Hero Amazonia + INPACTAS) com foco em fortalecimento de capacidades municipais de inovação e em cadeias produtivas específicas (açaí, castanha, palmito). Diferencia-se de programas de conectividade (MCom), de crédito (Banco da Amazônia) e de fomento isolado (Centelha/FINEP). Posiciona-se como complementar, não concorrente.
Sim. A UFAM tem capacidade institucional consolidada e capilaridade no eixo BR-319 via Instituto de Natureza e Cultura (INC). A SEMCTI de Benjamin Constant foi instituída pela Lei Municipal nº 1.434/2025. A INPACTAS opera há 4 anos com metodologia documentada. A Hero Amazonia tem 9 anos em ecossistemas latino-americanos, presença em 30+ cidades, 350 mil estudantes acompanhados — e referências operacionais recentes em Lima Este, Castilla/Piura e Huánuco (esta última, território amazônico). O projeto não constrói capacidade do zero: escala o que já funciona.
Quatro mecanismos: (1) replicação do fundo municipal de inovação via 1% do ISS (testado pela Lei 1.434/2025 de Benjamin Constant); (2) incorporação da INPACTAS como Hub Regional de Conexão, conectando as startups e soluções desenvolvidas na BR-319 a investidores privados e redes internacionais, com receita própria; (3) formação de líderes-semente locais que assumem a operação metodológica nos próprios municípios; (4) transferência formal da gestão ao Estado via Protocolo de Intenções com SEDECTI-AM ao final do período de 36 meses.
A primeira onda é conduzida pela equipe central PROTEC + INPACTAS + Hero Amazonia, com objetivo central de formar líderes-semente locais em cada município contemplado. Esses atores capacitados — docentes, servidores públicos, líderes comunitários e jovens empreendedores — passam a atuar como facilitadores e mentores nas expansões seguintes, replicando a metodologia nos blocos territoriais subsequentes. O modelo elimina dependência permanente da equipe central e cria capilaridade real no eixo da BR-319.
A SEMCTI Benjamin Constant atua como âncora institucional local. Seu papel é (i) gerir politicamente o Fundo Municipal de Inovação (Lei 1.434/2025 — 1% do ISS); (ii) articular as compras públicas inovadoras como demanda concreta para o portfólio de soluções; (iii) garantir perenidade do projeto independentemente de transições políticas nas prefeituras, via fundo institucionalizado por lei. A SEMCTI é o template municipal a ser replicado nos demais 15 municípios do eixo.
A capacitação não se restringe a servidores públicos. Os cinco atores da quíntupla hélice participam ativamente: (i) governo via SEMCTI e gestão do fundo; (ii) academia via UFAM/IFAM/ICTs; (iii) empresa via MPEs, cooperativas e líderes empresariais que pactuam desafios reais e absorvem soluções no Demo Day; (iv) sociedade civil via jovens empreendedores e líderes comunitários nas trilhas formativas; (v) meio ambiente via gestores ambientais e cooperativas extrativistas das cadeias açaí/castanha/palmito. O Demo Day final é aberto a representantes das cinco hélices e a júri internacional.
A lógica é de ciclos sobrepostos. Cada ciclo de maturação Microcosmos exige 18 meses (3+8+1+2+4), mas a cada 12 meses deflagra-se a Fase 01 metodológica em um novo bloco de municípios — o que otimiza tempo e equipe na expansão territorial sem esperar o fechamento do ciclo anterior. A primeira onda (mobilização nos pilotos satélite Humaitá + Manicoré) está pronta para início em jun/2026, alinhada com a janela de execução orçamentária federal. A pactuação ideal é a partir de junho/2026 para que a Fase 01 inicie ainda no exercício fiscal corrente; entregas mensuráveis a cada trimestre.

9. O Pedido ao MGI

Solicitação Formal

Apoio financeiro e institucional para escalar o microcosmo de inovação ao longo da BR-319 sob coordenação UFAM.

A Universidade Federal do Amazonas, com apoio da INPACTAS, da Hero Amazonia, da Protec e da SEMCTI Benjamin Constant, solicita ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos a avaliação do Projeto Microcosmos de Inovação BR-319 para fomento dentro das suas linhas de apoio a governos municipais, inovação em serviços públicos e fortalecimento de capacidades institucionais.

  • Aporte financeiro segundo um dos três cenários — R$ 3,93 mi (mínimo) / R$ 11,31 mi (médio) / R$ 17,16 mi (integral — recomendado). Valores incluem taxa de gestão da Fundação (DOA 12%) e o Componente 06 — Infraestrutura Resiliente e Tecnologias Sociais (engenharia civil sustentável).
  • Validação técnica da metodologia Microcosmos como modelo replicável para outros eixos rodoviários amazônicos.
  • Articulação com programas do MGI de modernização municipal e governo digital, integrando a rede de microcosmos às plataformas federais.
  • Reconhecimento do eixo BR-319 como território prioritário de inovação pública amazônica na agenda do Ministério.
Janela de decisão federalA pactuação é viável antes de junho/2026 para início imediato da Fase 01 ainda neste exercício fiscal. A UFAM e parceiros estão em condição de instruir a documentação complementar (memórias de cálculo, cláusulas de IP, protocolos de transferência) na semana subsequente à manifestação de interesse formal do Ministério.